Saturday, February 14, 2009

Mais um presidente

Um dia o Rudimar me ligou lá no Tribunal:
-Nasceu o sétimo gaúcho presidente da república!
-Mas Rudimar, o Gustavo é paranaense, curitibano!
-O primeiro paranaense então, o primeiro paranaense presidente da república, e o sétimo “gaúcho”!
Outro dia foi o César, amigo da minha mãe, a anunciar:
-O primeiro presidente negro deste país nasceu agora há pouco.
Tomara que o César esteja errado, não precisamos esperar mais 35 anos por isso. Mas isso é outra história.
A história que interessa agora, que me interessa agora, é a história do Pedro, meu sobrinho, que acabou de nascer. E o nascimento é a melhor parte da gravidez. Por que toda essa história que a grávida é linda, que o casal se aproxima, que faz bem, precisa ser relativizada. Claro que é um momento especial, mas também é difícil. Muitas dúvidas, muita insegurança, muitas respostas. E todo mundo tem resposta pra tudo, incrível. Deve ser horrível ser pai sem ter um filho pra mostrar. Teu filho, o meu sobrinho, tava dentro de uma barriga, escondido, só aparecia num exame ou outro, e essas fotos de exames não são muito boas. Talvez seja um problema de foco.
Com o nascimento você pode mostrar o seu filho. Mostre para todo mundo. Pais, parentes, amigos. Pro chefe mostre ao menos a certidão de nascimento, convém. E apesar de não parecer com ninguém, pelo menos as pessoas podem tirar suas próprias conclusões:
-Ele vai parecer com o pai ou com a mãe?
Sei lá eu!
E também não sei, não sabemos todos, o que esse moleque vai querer fazer da vida dele. Lógico que tem coisas que gostaríamos que ele fizesse. Coisas que esperamos que ele seja. Ser honesto pra começar. Ter bons amigos, ser um bom amigo. Brincar muito, jogar bola, levar uns pontos. Uns casinhos, uma mulher, umas bebedeiras. Umas histórias pra contar. Ser de esquerda, torcer pelo Paraná, gostar de música. É mais ou menos isso.
E, Pedro, se você quiser, depois de ter feito tudo isso, virar presidente da república, titio aqui não vai achar ruim não, só me chame pra conversar de vez em quando.

Saturday, January 10, 2009

O centro capitalista cria um expurgo de momento que necessita de desconcentração premeditada, isto é, precisamos depois de um período uma sensação de transgressão para simular uma liberdade, algo que pareça libertar o ego e suas pretensões seja de qual natureza forem.

Sofremos por que trabalhamos em excesso, mas não há outra saída senão trabalhar exaustivamente. A corrida social está posta, só não se sabe onde deve chegar, a não ser na fortuna pessoal e no equilibro financeiro.

Uma digressão exorcista.

Wednesday, May 16, 2007

Não me enfraquece a irrealização de sonhos.

Não me enfraquece o tempo por vir.

Não me enfraquecem os episódios de falsa reciprocidade.

Não me enfraquece reconhecer a estupidez.

Não me enfraquece viver sem causa certa.

Não me enfraquece a descrença.

Não me enfraquece recometer o engano subreptício.

Não me enfraquece a ausência de mim mesmo.

Não me enfraquece a máquina do homem.

Não me enfraquece.

Minto.

Pois a mentira, não me enfraquece.

Sunday, May 06, 2007

Trapo.

De tudo restaram os trapos
Sobrou o pouco, sobramos nós
De tudo restou meu pranto
Meu fraco sopro de esperança

Ninguém mais volta após uma partida
Não existe retorno, não há composição
E recomeço é o engano de quem não encerra
A própria e derradeira conclusão.

Sunday, April 08, 2007

Desencargo de adrenalina

" FILHA DA PUTAAA!!!".

Quem é a vítima desse mal-intencionado palavrão? As panelas. Não importa se for páscoa, natal, ou qualquer outra data comemorativa. Minha mãe sempre xinga as panelas, principalmente quando uma se desequilibra e quase cai.

Tudo bem, é o único momento do dia em que ela solta um palavrão.

Friday, March 30, 2007

5º Estágio do Polenta

Cá estou eu, exercendo, mais uma vez, uma nobre função na sociedade Curitibana. Mas desta vez é na Escola Técnica da Universidade Federal do Paraná. Essa maravilha de estágio foi possível graças a um e-mail de uma colega no interminável grupo de e-mail da turma. Ela (a Carol) tinha de retornar à sua cidade natal. Logo que vi a carta eletrônica interessei-me em trabalhar numa escola. No momento já fazem quase duas semanas que eu a substituí.

O estágio é, de longe, o mais tränquilo dos que eu já fiz. Chego entre 1h30 e 2h30 e saio entre 17h30 e 18h00. Mas é tranqüilíssimo, tão tranqüilo ao ponto de ter apenas uma coisa pra fazer por dia. É mais ou menos assim: "Guilherme, faça um ofício nesse processo". - "E depois Juarez?" "Não tem mais nada". Razoável, pelo salário de 450 real.

Mas o interessante mesmo é estar novamente numa escola. Agora há pouco eu voltava do banheiro (sim, tenho que dividí-lo com os alunos de ensino médio) à minha sala. Para percorrer esse tão necessário trajeto, tenho que passar pelo pátio da escola. Quando eu me situava bem no meio, ouvi umas meninas rirem bem alto. Olhei, e vi elas me olhando e rindo. Imediatamente olhei pro chão pra ver se tinha algum papel no tênis, ou se a cueca estava pra fora, sei la. Senti-me exatamente como no colégio. Depois de 8 anos, a minha reação foi exatamente a mesma.

Tem outra: ao sair do banheiro, quem eu vejo dando aula? Meu professor de química do primeiro ano do ensino médio, o ... Gilson? Não lembro o nome. Ele se parece com um pinguim. Mesmo assim, a única coisa que mudou nele é uns cabelos brancos.

Mas o que eu queria discorrer era como o ambiente de escola me fez voltar aos momentos de virgindade e curiosidade da época. Tive vontade de entrar na sala, assistir as aula, saborear novamente a esperança de ter um futuro incrível à minha espera. Acreditar ainda que não sou o dono do meu futuro. Logo pensei "ah, agora que eu tenho 22 anos, tocaria o terror nessas muié". Mas não, acredito que a sala me infatilizaria e começaria tudo de volta. Ou seja, a curiosidade, o nervosismo e a distância física e mental que existia entre as meninas e meu módico ser, retornaria para me assombrar.

Acho que tem algo de incrível em ser virgem. Não só sexual, mas mental. Uma inocência diante da vida. Mas essa idéia só é legal para aqueles que não o são mais.

Sou foda. Achei mais um paradoxo. Mas será que é mesmo?

Monday, March 26, 2007

Ninja Beggar.

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